VÁRZEA ALEGRE TERRA DOS CONTRASTES - Mundim do Vale
Localizada no centro sul do estado do Ceará ficou conhecida no Brasil inteiro depois do musical Contrastes de Várzea Alegre, interpretado por Luiz Gonzaga e composto por Zé Clementino. Cidade que foi tema de um documentário da Rede Globo de Televisão, por ser uma cidade alegre, fazendo assim jus ao seu nome. Cidade que por brincadeira de um grupo de agricultores do sítio Roçado de Dentro, deu partida no samba, para ser hoje, com duas escolas, MIS e ESURD, detentora do melhor carnaval do interior cearense, atraindo turista do estado e do país. Cidade de um povo que transformas as adversidades em causos humorísticos. Cidade que Jesus foi intimado, que o padre era casado, que o sobrado é no oitão, que Telha Quebrada é filho de Zé Goteira e um cego da Boa Vista morreu afogado na Lagoa Seca. Cidade que aparece nos sonhos dos seus filhos que estão ausentes, mas não esquecem jamais. Várzea Alegre dos grandes adjuntos da colheita do arroz, animados pelo grupo de Maneiro Pau e a Banda Cabaçal. Várzea Alegre que quando os filhos que estão distantes se encontram dizem:
- Ou Várzea Alegre boa só é longe! Várzea Alegre que Manoel Cachacinha criou o slogan “Várzea Alegre é natureza! E para finalizar, Várzea alegre é a cidade que só nos deixa tristes quando estamos distantes.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro

SEXTA DE TEXTOS - Sávio Pinheiro (fonte Blog Antonio Morais)

UM MARTELO VIRTUAL À CALÇADA REAL
(Inspirado no poema “Da Calçada ao Facebook” do poeta Cândido BC Neto)

Esperei encontrar um bom momento
Pra falar, de um recanto de valor:
A calçada, sublime como a flor,
Que findou sendo um grande monumento.
Encontrei, comovido, o elemento
Que me fez, no passado, um sonhador.
E hoje, para espantar a minha dor
Resolvi paginar outra empreitada:
CONSEGUIR EDITAR NOVA CALÇADA
NO TECLADO DE UM BOM COMPUTADOR.

Espalhadas, cadeiras conversavam
Num balanço de vida, sobre alguém,
Não deixando pra trás, quase ninguém,
Na lembrança, enquanto versejavam.
Quando as gotas de chuva respingavam
A plateia mirava o corredor.
Relembrando da casa – um primor,
Tento crer numa prosa planejada:
CONSEGUIR EDITAR NOVA CALÇADA
NO TECLADO DE UM BOM COMPUTADOR.

O Facebook, esse amigo virtual,
Exacerba a minha recordação
Machucando, de vez, o coração,
Que no tempo passado foi real.
Na calçada, vi algo surreal,
Que manteve um vastíssimo esplendor.
Foi o palco do grande narrador
Que, hoje, quer consagrar vasta jornada:
CONSEGUIR EDITAR NOVA CALÇADA
NO TECLADO DE UM BOM COMPUTADOR.

Damião via o padre todo dia,
Miguelzim degustava a aguardente,
Franceli implantava a boa semente
E o BC esbanjava simpatia.
Em Vicente, eu fitava a nostalgia,
Que em Jânio, era onda de furor.
A beata rezava ao Salvador
E Catinha estudava, ali, sentada:
CONSEGUIR EDITAR NOVA CALÇADA
NO TECLADO DE UM BOM COMPUTADOR.

Fim.

sexta-feira, 6 de janeiro de 2017

Festa de Reis - José Albano

06 DE JANEIRO - FESTA DE SANTOS REIS - José Albano - PESQUISADOR/HISTORIADOR

COMO É QUE É...!

É sim! Companheirada, mexendo nos meus alfarrábios, encontrei, no fundo do velho baú a VELHA BROCHURA PINCELANDO A HISTÓRIA, lá tinha algumas linhas falando sobre a HISTÓRIA DA FESTA DE SANTOS REIS. Segundo o autor da Brochura “JOSÉ ALBANO”, a Folia de Reis, ou Festa de Santos Reis é uma manifestação cultural religiosa festiva, está classificada no Brasil como folclore, e, é praticada pelos adeptos e simpatizantes do CATOLICISMO, que tinha como objetivo rememorar a ação dos três Reis Magos. 

Segundo o autor a Festa dos Santos Reis ou REISADO é de origem egípcia e era considerada uma festa PROFANO-RELIGIOSA. Segundo a tradição, os três Reis Magos, Gaspar, Melchior (ou Belchior) e Baltazar viram a Estrela de Belém no céu e partiram para encontra JESUS, que havia nascido os Reis Magos levavam presentes para o menino que havia nascido entre os presentes tinha ouro, mirra e incenso, presentes que simbolizavam divindade, imortalidade e a realeza, segundo a tradição um Rei era branco, e, um outro era negro e um outro moreno, todos representando a humanidade, uma festa celebrada em muitos países e, de modo particular em cada região do Brasil. 

Quero lembrar que, a Folia de Reis é uma FESTA CATÓLICA ligada à comemoração de NATAL e era comemorada desde o século XIX. O seis de janeiro como data, passou ater sua importância como data festiva, principalmente, nos países de origem latina. 

Em alguns lugares esta Festa tornou-se tão importante quanto o NATAL. Lembrando que na Espanha, a data é chamada de FESTA DE REIS, já na ITÁLIA, a festa é chamada de BEFANA que lembra uma velha bruxa que dá presente para as crianças. É no dia REIS que se desfazem das decorações natalinas e dos presépios. 

Alguns estados Brasileiros principalmente, o Estado do Rio de Janeiro, os grupos folclóricos realizam a folias até o dia 20 de janeiro, “Dia de São Sebastião”, o padroeiro do estado. Na cultuara tradicional brasileira, os festejos de NATAL eram comemorados por grupos que visitavam as casas, tocando músicas alegres em louvor aos SANTOS REIS e ao nascimento de CRISTO, uma festividade que se estendia até o dia dos REIS, 6 de janeiro. 

Lembrando, no BRASIL, principalmente no interior, acontecem os chamados REISADOS ou Folias de Reis, festas folclóricas que receberam a influência das origens européias da celebração, mas que adotam formas e expressões locais na música, na dança, dependendo da região do país. 

Aqueles que recebem a visita do REISADO EM SUIAS CASA, representando a visita dos Reis Magos a JESUS, devem oferecer alguma comida a seus integrantes, que agradecem ao hospedeiro e seguem para o próximo destino. 

Vários instrumentos são utilizados nessa festa, a viola caipira, acordeom, gaita, reco-reco e a flauta. Esses grupos são liderados pelo Capitão da Folia que seguem referenciando a bandeira, carregada pelo bandeireiro. 

A bandeira é o símbolo da Folia, e, é decorado com figuras que, levam para o menino JESUS. As companhias vão de porta em porta durante os seis dias de festa. Segundo a tradição, os versos só podem ser cantados na casa das pessoas, que deve ter uma imagem de menino JESUS na manjedoura ou presépio.

Fonte:
1 – Pincelando a História – José Albano – 1980 – Fortaleza/Ceará.
2 – Jornais e Revistas

terça-feira, 3 de janeiro de 2017

Sentidos - Manoel Fernandes

Sentidos - Manoel Fernandes

A casa dos meus avós tinha um cheiro de jasmim. Esta lembrança é tão marcante que, onde quer que eu esteja, o cheiro dessa flor me enche de imagens familiares. Vejo a cozinha da casa com seu forno a lenha, a grande sala de várias portas, os quartos à meia parede, o corredor largo que dá acesso a muitos lugares, a portinhola da entrada como duas grandes asas, os jasmineiros no jardim cercado pelo muro baixo e o pequeno portão de ferro que abre para a praça de uma infância repleta de janeiros maravilhosos.

E por falar em praças sempre gostei mais daquelas que, repletas de gente, fazem os meus sentidos auditivos barulharem. Os duelos dos cantadores de viola, as orações dos evangélicos, os anúncios das vendedoras de miudezas, o homem da cobra, a militante de esquerda, a conversação animada dos transeuntes como se fossem pingos de água na grande onda sonora que faz a praça reverberar como um sino gigante.
 E o que dizer, por pensar no toque do sino, daquilo tudo que me toca o corpo e que o meu corpo toca? À superfície da pele, sentindo as águas do mar ou dos rios, massagear a argila para compor inúmeras formas, manipular tintas diversas com as mãos cheia de cor no papel monocromático, sentir o beijo quente do vento no rosto, andar com os pés nus sobre o chão coberto de folhas. Coisas assim que fazem a epiderme ler o universo nos dias em que deixo o interior da casa e caio no mundo e volto a brincar com minha prima matéria.

Matérias primas, primeiras e familiares, que encontro em um fantástico balé de cores de formas que a visão capta diferentemente de outras culturas. Pontes suspensas sob arames de fino aço, casas circulares da taipa e palha, telhados triangulares para que a neve escoe. Tempos diversos nas formas das coisas e nas tintas das épocas, vitrais multicolores , janelas articuladas, beirais. Coisas de ferro, gesso, concreto protendido, prédios imensos, o cario baixo. Isso tudo que baralha a visão e me faz viajar para às épocas mais remotas e imaginar o futuro, como se essa linguagem visual me detivesse diante dos objetos e me pusesse adiante deles.

Já das viagens o que costumo lembrar é do gosto da comidas e bebidas locais e a minha boca saliva diante dessas lembranças que provam o sabor de frutas endêmicas e dos pratos desconhecidos. Arroz com piqui, maniçoba, açai com farinha, feijão tropeiro, acarajé, pamonha, polenta, quentão, cachaça do brejo, vinho de cajú. E assim, em minha boca posso nomear o gosto dos lugares por sua brasa de pimenta ou a maciez de suas frutas carnudas.

Essas coisas todas que mexem com meus sentidos se misturam quando entro em contato com o mundo, estabelecem códigos de afetividade , desenham seus traços sensoriais dentro de mim. A isso tudo posso denominar de paisagem e repaginá-las para saber de mim sempre que preciso delas.

Manoel Fernandes (USP)
(Nande neto de Zé Odimar e Balbina)

sexta-feira, 21 de outubro de 2016

João sem Braço - Memória Varzealegrense

949 - ARTILHARIA (Blog Pedra de Clarianã)


O menino que nasceu Raimundo se transformou em João Sem Braço logo após passar pelo infortúnio de perder o membro superior esquerdo em um acidente. Mas a falta do braço não impediu o conhecido varzealegrense de atirar de baladeira, jogar sinuca e realizar com habilidade outras atividades que em regra exigiriam a utilização dos dois membros.

Em um campeonato realizado na quadra de esportes da Escola Presidente Castelo Branco, João Sem Braço foi escalado para jogar futebol de salão, hoje futsal, pelo time de alunos do Colégio São Raimundo Nonato.

A equipe iniciou bem o campeonato, mas, na última partida, contra o rival Presidente Castelo, sofreu dois gols ainda no primeiro tempo. Descontrolado, João Sem Braço, para surpresa da torcida, passou a chutar contra a baliza defendida pelo goleiro do seu time. Bastava a bola chegar aos seus pés que o descontrolado jogador chutava fortemente contra o próprio patrimônio. Após sofrer uns cinco gols contra, o técnico finalmente pediu um tempo e, com rispidez, se dirigiu ao seu atleta;

- João Sem Braço, você ficou doido? Por que ta fazendo gol contra?
Com seu jeito irreverente, o jogador apresentou sua justificativa:
- Já que vamos perder o campeonato, quero ser pelo menos o artilheiro.

Colaboração: Klébia Fiúza
Contado por Flavio Cavalcante

quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Histórico - Memória Varzealegrense

Histórico: 

Fundada em 1949,empresa pioneira em transportes coletivos do Nordeste para o Sul do País,desde 1951 há relatos da empresa fazendo linhas intermunicipais e interestaduais, tendo como propietário Antônio Temóteo Bezerra, e sede no Crato - CE. Em 1957 foi registrada na junta comercial a sociedade A. Temóteo Bezerra e Cia. Ltda, com nome de fantasia A. V. Varzealegrense. Em 1966 passa a ter razão social de A. Temóteo Bezerra S/A e em 1970 Auto Viação Varzealegrense S/A. Em 1983 o controle acionário passa para a empresa Gontijo, com sede em Belo Horizonte (MG), mantendo o nome de Auto Viação Várzealegrense. Antônio Temóteo Bezerra faleceu em 1972. A linha Juazeiro do Norte/ Mangabeira foi transferida da Viação Vale do Machado, firma individual Manoel Vicente da Silva, em 1968 e em 1989 passa a ter o nome de Fortaleza/Lavras da Mangabeira, transferida em 1990 para a Rápido Setanejo. As linhas Crato/Parambu, Juazeiro do Norte para Iguatu, Lavras da Mangabeira, Orós e Santana do Cariri foram transferidas para a Rápido Sertanejo nos anos de 1990 a 1993. 

Chagas Bezerra - Memória Vrazealegrense

Parte da frota adquirida em 1949 e 1951, que depois se tranformou numa das maiores empresas de transportes de passageiros do nordeste do pais..


A historias dos transportes rodoviários no Nordeste Brasileiro tem obrigatoriamente de constar, dentre seus inúmeros precursores, o nome de Antonio Temoteo Bezerra, “ Chagas Bezerra”, hoje referencia em importante artéria na cidade do Crato. Av. Chagas Bezerra, pista asfaltica partindo da Av. Dom Francisco, ao Estádio Governador Virgilio Távora, “Mirandão” e aos conjuntos habitacionais “Mirandão”, bem próximo ao Terminal Rodoviário Wilson Roirz.
Nesta oportunidade, realiza-se em Fortaleza, capital cearense, uma homenagem por parte das autoridades representativas dos transportes rodoviários, aos mais destacados, “pioneiros” do setor, autênticos desbravadores das estradas nordestinas que abriram caminhos interligando as mais diferentes regiões do nordeste, ao sul do pais, e especialmente, São Paulo.
Para destacar a trajetória empresarial de Antonio Temoteo Bezerra, fomos conversar com Luzimário Temoteo Bezerra, um dos seus filhos, o primeiro dos homens e que teve firme participação ao lado do pai, nos importantes empreendimentos relacionados com a trajetória de Antonio Temoteo Bezerra, na área dos transportes rodoviários, no nordeste brasileiro.
Conforme as informações de Luzimario dados inclusive do conhecimento do entrevistador, Chagas Bezerra foi realmente um pioneiro, levando os seus veículos às mais distantes localidades do pais, mas especialmente às regiãos do Nordeste, Sul e Sudeste, demonstrando a coragem do nordestino através de estradas, em sua maioria no barro e na piçarra, para mais adiante, encontrar o progresso do Asfalto.
As regiões que naqueles distantes anos viam os veículos comandados por Chagas Bezerra eram Ceará, Piauí, Pernambuco, São Paulo principalmente. Eram as chamadas linhas Crato-Teresina, Crato-Floriano, Crato-Rio e São Paulo, Crato-Iguatu, Crato- Juazeiro, Crato-Varzea-Alegre.
A luta empresarial de Chagas Bezerra, de acordo com a revelação de Luzimario, teve inicio na década de 40, por volta de 1945, em Várzea-Alegre, com um “pau de arara” lembrando que ao sair do nordeste em direção a São Paulo, tinha por habito dizer para esposa Ideltrudes Matias Bezerra,” Adeus” e não, “até Logo”, tão inóspitas as regiões que suas estradas se apresentavam aos viajantes, com prolongadas demoras de até 20 a 30 dias.
Aluta de Chagas Bezerra não se resumia apenas no que diz respeito ao transporte de passageiros, mas também, no transporte de mercadorias, pois ao retornar de suas demoradas viagens ao Sul do pais, preparava o veiculo para o transporte de algodão para Campina Grande. Diz Luzimario que por volta de 1949, seu pai comprou o primeiro ônibus, um For 49 e em 1951, decidiu residir em Crato.

A esposa Dona Ideltrudes, Chagas Bezerra, Presidente Janio Quadros, Governador do Estado do Ceara Paulo Sarasate, Dr. Geraldo Lobo e o presidente da Assembleia Legislativa do Ceara Deputado Filemon Teles.


Vale Lembrar, com referencia a residência da Avenida Teodorico Teles, que foi ali onde Chagas Bezerra foi anfitrião do Presidente da Republica Dr. Jânio Quadros, isto no inicio da década de 1960, uma visita honrosa, tendo por real motivo, amizade que já tinha Chagas Bezerra, com o Dr. Jânio Quadros, em suas idas e vindas a São Paulo.
A trajetória rodoviária de Chagas Bezerra que remonta aos idos de 40, com o For 49, rodando para São Paulo e transportando nordestinos para aquelas paragens, já com o nome “Varzealegrense”. Valendo citar que em nossa região foi o pioneiro.
A empreitada de Chagas Bezerra teve seu ciclo encerrado quando, em 1972, vitima de um enfarto, foi internado na Casa de Saúde Raimundo Bezerra de Farias, após inicio de tratamento em hospital de Juazeiro do Norte, falecendo em 08 de Outubro desse ano.
Antonio Temoteo Bezerra foi casado três vezes. Do primeiro casamento, foram três filhos, do segundo também três filhos, e do terceiro seis filhos. Chagas Bezerra teve o seu trabalho empresarial reconhecido pela cidade que acolheu de braços abertos.

Pode-se assim destacar-se o valor de um homem que priorizou o Crato para os seus empreendimentos, aqui trabalhou e aqui residiu com sua família, desenvolvendo com seriedade e acima de tudo honestidade, um trabalho que ao lado de pessoas também dinâmica, deixou um legado pioneiro, levando o nome do Crato a regiões distantes, através, principalmente da “Viação Varzealegrense”.

Fonte: Blog de Antonio Morais

Raimundo Ferreira - Continuação

Viação Brasília: Paraibana de nascimento, Cearense por adoção


Poucos sabem, mas a Viação Brasília foi fundada na Paraíba por um grande homem: Raimundo Correia Ferreira. Este empresário sem sombra de dúvidas, encontra-se no hall de homens empreendedores, pioneiros e sonhadores predestinados que estavam a frente do seus tempos no transporte de passageiros do Nordeste em especial da Paraíba, para o sul do país. São exemplos de destemidos e determinados assim como Raimundo: Severino Câmelo da Bonfim, Otávio Amorim da Expresso Paraibano, Raminho da Planalto e Nathércio Dutra da Empresa Dutra. A Viação Brasília foi a primogênita de um dos maiores grupos de transporte do Ceará e do Nordeste: GERF – (GRUPO EMPRESARIAL RAIMUNDO FERREIRA). Faziam parte desse grupo a empresas Rápido Juazeiro, Rio Negro e Viação Brasília no setor de transportes, bem como empresas de cargas, hotelaria e de comunicação.

Intuição certeira

Para entendermos melhor esta história, vamos conhecer um pouco do Sr Raimundo Ferreira. Nascido no ano de 1931, na cidade de Várzea Alegre – CE, região do carirí Cearense, inicia seus estudos na sua cidade natal, e em seguida muda-se para Campina Grande onde conclui seus estudos no colégio Alfredo Dantas em 1949. Porém desde que saiu da sua Várzea Alegre, determinado, Raimundo Ferreira alimentava o sonho de ser um grande empresário contrariando o pensamento da juventude de sua época, onde a maioria sonhava com um diploma de médico, advogado ou engenheiro. Assim, quando retornou de Campina Grande instalou uma difusora com alto-falantes e uma pequena indústria em Várzea Alegre.



Não satisfeito, Raimundo almeja caminhos mais altos e com astúcia e espírito empreendedor características de sua personalidade, segue para a cidade do Crato e num tino comercial adquire um ônibus e associa-se a Timóteo Bezerra dono da Empresa Várzea Alegrense fundada em 1949, ligava o Ceará ao sul do país e a as principais cidades do Nordeste. A Empresa Várzea Alegrense era uma das maiores empresas Cearenses, e foi adquirida posteriormente pela Gontijo. A sociedade entre Raimundo e Bezerra dura até 1957, e em um golpe de sorte decide mudar-se para a Paraíba, mais precisamente Cajazeiras onde sua vida muda completamente.

Cajazeiras: Amor a primeira vista!

Atraído pelo movimentado centro comercial pelas indústrias e algodoeiras, como a J. Matos S.A; a firma da família Abrantes; Representação da SAMBRA e outras pequenas empresas de extração de óleo do algodão e torrefação de Café, Raimundo Ferreira viu na terra dos Rolins a possibilidade de fazer bons negócios. E fez!

O ano era 1958, e o Brasil vivia na euforia dos anos dourados do governo Juscelino Kubitschek com o lema 50 anos em cinco e para Raimundo, que era amigo de JK, não foi diferente. Em homenagem a maior representação deste período, que foi a construção de Brasília, o sonhador funda a Viação Brasília Ltda, e inicialmente com três ônibus e faz a linha Cajazeiras x São Paulo saindo uma vez por semana. A sua paixão por Cajazeiras era tanta, que ele construiu um dos primeiros, se não o primeiro terminal rodoviário da Paraíba, antes mesmo que João Pessoa e Campina Grande. Foi também o primeiro terminal rodoviário vertical com hotel, área de lazer, lanchonetes e lojas e denominava-se Edifício Antônio Ferreira. Fora o terminal rodoviário que construiu com recursos próprios, outras benfeitorias foram feitas na cidade de Cajazeiras.

Um amor não correspondido


Na sua rápida passagem pela política, tentou duas vezes, sem sucesso, ser prefeito de Cajazeiras. Em 1963, pelo PSB, entrou numa disputa ferrenha com Chico Rolim, Acácio Braga Rolim e José Leite Furtado, amargando um 3º lugar com 2.120 votos obtidos. Após o golpe militar de 1964, Raimundo Ferreira filiou-se ao MDB e, na eleição municipal de 1969, travou, mais uma vez, uma guerra pela prefeitura cajazeirense com o candidato da ARENA, Epitácio Leite Rolim. O resultado foi uma esmagada e sofrida derrota, com o seu opositor obtendo 6.548 votos, e Raimundo Ferreira apenas 2.324 votos. Uma maioria prol Epitácio de 2.324 sufrágios. Uma humilhação e vergonha para um homem que, modestamente, vinha investindo tanto no progresso da cidade. Desgostoso por não ter da população cajazeirense uma resposta positiva e um reconhecimento pelo muito que vinha fazendo pela cidade, Raimundo Ferreira deu adeus a política partidária e passou a se dedicar exclusivamente a atividade empresarial.

Fixou residência na região cearense e só aparecia em Cajazeiras para ver como andava as suas empresas. Raimundo gostava de Cajazeiras, mas a cidade não gostava dele.

Viação Brasília

A primeira linha da empresa como foi mencionado acima, foi a Cajazeiras x São Paulo ainda nos anos 50. Nos anos 60 mais uma linha é criada e desta vez, é a Cajazeiras x Brasília,nova capital federal e que faz jus ao nome da empresa. Não se sabe por qual motivo, se por desgosto da cidade que tanto amou ou estratégico,em 1974, Raimundo Ferreira transfere a sede e toda estrutura da empresa para a cidade de Patos-PB e passando a denominar-se Viação Brasília Transporte e Turismo Ltda vende a linha Cajazeiras X Brasília para a Planalto de Campina Grande que naquela época direciona seu foco para Brasília, saindo do eixo Rio-SP. e cria a linha Patos X RJ que logo após foi vendida para a Itapemirim.Restava somente a Cajazeiras x São Paulo que a partir da transferência para Patos,passa a denominar Patos x São Paulo. Esta linha até hoje sai de Patos, e passa pelo Vale do Piancó e segue para Cajazeiras.

Em 1983, a Gontijo adquire a Varzea Alegrense e a Viação Rio Negro também Cearense e ligava municípios cearenses entre si e a Fortaleza. Com o projeto de expansão no Nordeste, a Gontijo queria empresas ou linhas que ligava o nordeste ao sul do país e nesse contexto,o destino colocou dois homens no mesmo caminho: Abílio Gontijo e Raimundo Ferreira. No ano de 1987 a Gontijo vende para Raimundo a Rio Negro e na negociação, a Linha Patos x São Paulo é repassada para Gontijo. A Viação Brasília encerra sua história no transporte interestadual bem como na Paraíba. Sua estrutura é transferida para Juazeiro do Norte onde passa a fazer linhas urbanas e interurbanas ligando cidades do sul cearense a Juazeiro do Norte e ao Crato.

Acordo com a Guanabara

A Guanabara desde que foi fundada, queria expandir seu território começando inicialmente pelo Ceará e em especial pelas empresas do GERF RÁPIDO JUAZEIRO e RIO NEGRO. Em 1998 segundo fontes na época, ficou acordado entre a Guanabara  e o GERF que ao vender as empresas, somente a Guanabara teria preferência de compra e também ficou acertado que isto só ocorreria se Raimundo Ferreira viesse a falecer. Entretanto, a Guanabara acabou adquirindo as duas empresas em 2005 sem que Raimundo falecesse.

Com a venda, restava somente a Viação Brasília, que encerrou suas atividades em 2009 saindo de forma triste, bem diferente do que foi em outras épocas e Raimundo Ferreira continua vivo residindo em Juazeiro do Norte. Essa é a homenagem a este grande homem que em épocas difíceis desbravou com coragem e determinação.

Fonte: Portal Ônibus Paraibanos
Matéria/Texto: Marivany Figueiredo
Fotos: Acervo Paraíba Bus Team

Raimundo Ferreira - Memória Varzealegrense

Raimundo Ferreira: Um nordestino de boa estirpe


O interesse pelo aprendizado, por novos conhecimentos e informações sempre foi característica marcante em Raimundo Ferreira. Ele acredita que o ser humano deve ser eternamente realimentado e reciclado por novos conhecimentos, através do que observa, ouve, debate e cada vez mais aprende.

Os estudos iniciou na cidade interiorana de Várzea Alegre, local, inclusive, onde nasceu aos 6 de março de 1931. E, foi no Grupo Escolar José Correia que escreveu suas primeiras letras. Mas, a continuidade aos estudos foram ministrados por sua prima, a professora Luiza Norões, até preparar-se para prestar exame de admissão do Ginásio Alfredo Dantas em Campina Grande, onde concluiu o ginasial em 1949. Já o 1º e 2º ano científicos foram cursados em Fortaleza no Colégio São João, curso que não chegou a concluir, pois Raimundo apesar de interessar-se pelo aprendizado não se enquadrava na categoria de jovens que sonhava com o diploma de médico ou advogado, ideal comum na época. Seu sonho era ser “empresário”. E, determinado a isso cessou os estudos retornando a Campina Grande. Já com planos em mente logo instala um serviço de auto falante e uma indústria de fundo de quintal.

Mas, Raimundo desejava ser um grande empresário e tinha com isso grandes sonhos. Foi assim, que guiando-se por uma de suas características mais fortes, ousadia, que fez viagem à cidade de Crato para lá associar-se com apenas um ônibus ao Sr. Chagas Bezerra, proprietário da Viação Varzealegrense, com linhas para o sul e diversos estados nordestinos.

Viação Brasília (1958-2009) primeria empresa de Raimundo Ferreira

Essa sociedade permaneceu até 1958, quando Raimundo se transferiu para Cajazeiras na Paraíba, fundando sob os auspícios de seu então amigo Juscelino Kubistchek a Viação Brasília, o que segundo ele é a sua “menina dos olhos”.

E com apenas três ônibus constituindo a Viação Brasília, que ligava o nordeste a São Paulo uma vez por semana, Raimundo sonhava em fazê-la crescer e para tanto não faltou seu pulso forte como empreendedor e empresário. E apesar de simplório foi com muita garra e ousadia que soube fazer crescer não somente a empresa, mas todo um Grupo Empresarial que chama-se Grupo Empresarial Raimundo Ferreira, que há alguns anos atrás era composto por apenas duas empresas genuinamente caririenses: A Viação Brasília e a Rápido Juazeiro, e atualmente as atividades do Grupo vão desde o transporte de passageiros e cargas, administração de terminais rodoviários, hotéis, área de lazer e promoções de passeios turísticos.

Rápido Juazeiro (1970-2005)

Raimundo, por solicitação de amigos, andou envolvendo-se com política, sendo candidato a prefeito de Cajazeiras pelo MDB, fazendo oposição a ARENA o que lhe motivou a derrota por 138 votos num universo de 13 mil eleitores. Ele, que não tem formação que se assemelhe a dos políticos, resolve não continuar na vida pública e passa a dedicar-se exclusivamente às suas empresas, o que lhe tem rendido tamanho sucesso como empresário.

Rio Negro (1968-2005) Sob administração de Raimundo Ferreira a partir de 1983

A história de Raimundo Ferreira é por melhor contada através da grande folha de serviços prestados a uma enorme área dos estados do Nordeste: Ceará, Pernambuco, Bahia e outros.


Rodoviária Antônio Ferreira em Cajazeiras-PB

Rodoviária Antônio Ferreira em Cajazeiras-PB
Metódico, acorda diariamente às 5:00 da manhã, telefona para seus escritórios para obter informações sobre o funcionamento dos mesmos forma pela qual verifica a manutenção da qualidade no atendimento aos usuários, pois segundo ele: “Sem passageiros, não existe empresa de transportes, eles são nosso sustentáculo e devemos respeitá-los”.

Espírito público apesar de não político, assim é Raimundo, e com bom tirocínio empresarial, o que lhe é muito peculiar, sentiu a necessidade de um terminal rodoviário em Cajazeiras e o construiu, com seus próprios recursos, o Edifício Antônio Ferreira, o primeiro terminal rodoviário da Paraíba, dotado de instalações para agencias das diversas empresas existentes, hotel, lanchonetes e área de lazer.

sábado, 8 de outubro de 2016

Recordações - Memória Varzealegrense

Família Morais com o  Sr. Mundinho Tibúrcio (8) e Dona Vicência (Dona Nen) (9).
Foto enviada por Marcos Antonio Morais

terça-feira, 4 de outubro de 2016

Raimundo Duarte Bezerra - Memoria Varzealegrense

RAIMUNDO DUARTE BEZERRA (PAPAI RAIMUNDO), O FUNDADOR DE VÁRZEA ALEGRE - TIBURCIO BEZERRA

Uma particularidade distingue Várzea Alegre, desde os tempos mais remotos. Refiro-me à preferência histórica da população pelo nome Raimundo, fenômeno repetido em todas as épocas e no seio de todas as famílias.

O hábito originou-se, em parte, na mística da devoção ao santo padroeiro, todavia a verdadeira origem é ainda mais antiga e repousa na figura histórica de Raimundo Duarte Bezerra, imortalizado pelo carinhoso cognome de Papai Raimundo".

Hoje, depois de passados mais de dois séculos, muita gente pergunta: 
- Quem foi Papai Raimundo? O que fez esse personagem, cuja história anda meio perdida na escuridão do passado?
A própria história responde: - foi o fundador da cidade e o principal ascendente da família varzealegrense.

Nasceu em 1767, no sítio Lagoas, distrito de Canindezinho. Filho de Francisco Duarte Bezerra e Bárbara de Morais Rego, era neto do casal Bernardo Duarte Pinheiro/Ana Maria Bezerra, sendo este o primeiro colonizador do município, que por aqui chegou em 1717, ainda no tempo do Brasil Colônia, há quase 300 anos.

Casou-se com Tereza Maria de Jesus, a 20 de agosto de 1788 e fixou residência no sítio Várzea Alegre, numa casa que erigiu próxima à lagoa Jiriam-Cose, depois lagoa de São Raimundo em pleno Vale Caruatá, que, depois, ganhou a denominação de Vale do Machado. Caruatá era o nome primitivo do riacho do Machado.

Em torno da casa do patriarca surgiram outras. À medida em que passava o tempo, sob a influência dele, aquele sítio ganhava projeção. Os antigos registros dão conta de que ele teve oito filhos, até o falecimento de sua companheira. Para atender a um apelo que fizera a falecida, foi edificada uma "casa de orações", espécie de capela pequena, sob a invocação de São Raimundo Nonato.

Apesar e algumas controvérsias, é sabido que Papai Raimundo tinha mais seis irmãos, dos quais também destacaram-se Manuel Antônio de Morais ( o velho Morais) e José Bezerra da Costa, ambos responsáveis por numerosas proles.

Tinha ele ancestrais portugueses, pernambucanos, piauienses e cearenses, advindo daí as nossas verdadeiras origens. Depois da viuvez contraiu novas núpcias, desta vez, com Ana Maria dos Passos. Do segundo consórcio resultaram mais nove filhos.

Entre os filhos do primeiro casamento, destacamos o nome do Major Joaquim Alves Bezerra e do segundo, o Major Ildefonso Correia Lima, que se tornou importante personagem no vizinho município de Lavras, posto que se casou com D. Fideralina Correia Lima, mulher destemida que fez história no cenário político do Estado. A famosa pintora Sinhà d'Amora (Fideralina de Moraes Correia Lima) , cujo prestígio espalhou-se pelo mundo a fora, era bisneta de Papai Raimundo.

Rodeado de filhos, genros, noras, netos, bisnetos, sobrinhos, afilhados e agregados, viveu o nosso patriarca devotado ao trabalho e à numerosa família. Era generoso e justo. Sua bondade era tanta, que lhe valeu o carinhoso cognome de PAPAI RAIMUNDO.
Faleceu em 1840, aos 73 anos, deixando com a família um legado que o tempo jamais destruiria. Seu sítio prosperou, tornou-se povoado, depois vila e hoje é esta bela cidade, sede do município que nunca mudou de nome.

Eis a razão pela qual ainda cultuamos a memória de Raimundo Duarte Bezerra. A história confirma a sua importância e, para nós, esta será sempre a VARZEA ALEGRE DE PAPAI RAIMUNDO.

Tiburcio Bezerra.

Hospital São Raimundo - Memória Varzealegrense

(fonte da foto pé no chão informativo)

CASA DE SAÚDE SÃO RAIMUNDO NONATO- TIBURCIO BEZERRA

Várzea Alegre comemora 50 anos de seu primeiro hospital. Ainda único. Hoje, polariza, além de Várzea Alegre, os municípios de Lavras da Mangabeira, Cedro, Cariús, Farias Brito, Granjeiro, Ipaumirim, Baixio e Umari, fato que o eleva à condição de Hospital Polo. Trata-se de uma longa história, contada com as palavras do otimismo e escrita com as letras do sacrifício. Na verdade, há 50 anos atrás, Várzea Alegria quase nada oferecia em termos de assistência médica. Vivíamos ainda todas as mazelas do atraso, sempre a depender de centros maiores, até para os casos mais simples.

Em 1962, chegava a Várzea Alegre um médico novo, filho do lugar e com vontade de aqui exercer a sua atividade profissional. Instalou-se em modesto consultório, no centro da cidade. Logo formou uma clientela numerosa e passou a ser requisitado para missões cada vez mais desafiadoras, inclusive fazendo atendimento domiciliar na cidade e nos sítios. Percebeu então que a cidade precisava de uma estrutura hospitalar mínima, pois o médico perdia quase todo o seu tempo dentro de um jeep ou no lombo de um cavalo em seus frequentes e, às vezes, inúteis deslocamentos.

Nascia assim a ideia de construir um hospital. Era um sonho dourado para um profissional ainda em começo de carreira. Faltava-lhe dinheiro, porém sobrava-lhe vontade. Assim começou uma luta sem trégua. Valendo-se de tudo o que era possível, o homem iniciou a construção. Mais do que um sonho, aquela obra, para ele, virou uma questão de honra. O povo entendeu e passou a colaborar, cada um à sua maneira. Naquela altura, o jovem médico já não estava mais só. A obra avançava com o passar dos dias e o fazia com regularidade.

Em 11 de dezembro de 1965, a cidade acorda mais cedo para comemorar o grande evento. O sonho agora é realidade. Era o dia da inauguração da Casa de Saúde São Raimundo Nonato. Com a proteção do santo padroeiro e sob as bençãos de Deus, abrem-se as portas do novo hospital, para alegria do povo e do seu grande mentor.

50 anos depois, aqui voltamos para comemorar o aniversário do hospital e para dizer a seu criador que ele venceu. Não falei no seu nome ainda porque nem precisa. É difícil falar da Casa de Saúde São Raimundo Nonato, sem lembrar Dr . Pedro Sátiro, o grande artífice. dessa obra, cujo valor vai além do tempo. Hoje o vejo, agora como o velho médico, que jamais perdeu a esperança, a coragem, a perseverança, a determinação e tudo o que é preciso para segurar um sonho que lhe custou muitas noites em claro.

O momento é de festa e de alegria. Parabéns a dr. Pedro, aos demais médicos e a todo o corpo de auxiliares que fazem a CASA DE SAÚDE SÃO RAIMUNDO NONATO!!!...

Tiburcio Bezerra (texto de 10 de dezembro de 2015)

A Procissão - Memória Varzealegrense

(Foto google)

A PROCISSÃO - TIBURCIO BEZERRA 

Onze dias é o tempo que dura a Festa. Algum desavisado poderá perguntar: - que festa? E nem precisa resposta. Quem é de Várzea Alegre aceitou e mantém o costume. É A FESTA. A única que pode justificar inteiramente a expressão. Ouve-se, antes e depois. varzealegrenses aqui e alhures a exclamar: "está chegando a festa", " a festa está ótima", a "festa foi boa", "saudade da festa", "adoro a festa", "no próximo ano, não vou perder a festa". Assim tudo se define numa palavra: A FESTA..

Em verdade, trata-se da Festa de São Raimundo Nonato, que agita o mês de agosto e mexe com os corações, até dos que não têm fé. E o que tem de grande esta festa? Diria que tem tudo. Desde o cortejo que chega à matriz conduzindo o pau, para hasteamento da bandeira, na tarde do dia 21, até o último ato solene do dia 3l de agosto, tudo fica diferente.

Missas solenes, novenas, parques, clubes, barracas, visitantes, eventos culturais, encontros, loucuras e explosões de felicidade aparecem do nada para justificar uma grandeza que nem sabemos definir. É A FESTA!!!....

Apesar de durar longos onze dias, muitos ainda acham pouco, talvez porque não aceitem retornar à rotina complicada do dia a dia. Afinal de contas, provado está que Várzea Alegre é mesmo a pátria da alegria. Tudo porém acaba. Hoje é o último dia. Transcorreu tudo em paz. Como costuma dizer um conterrâneo nosso: "é só alegria!"...

Entretanto, atenção gente!!!... Falta ainda a procissão. E a procissão costuma ser a apoteose da grande "Festa". Desde ontem, os andores estão a merecer cuidados especiais. Adereços exclusivos transformam cada um em obra de arte. Dá gosto a gente ver. Os andores transformam-se em pedestais ambulantes, .e cada um acomodará a imagem de um santo.

São imagens e relíquias dignas de veneração,e que partem em marcha respeitável pelas ruas da cidade, sobre os ombros de fiéis devotos, rezando e cantando o tempo todo. Cantos sacros exaltam os poderes de DEUS, da Virgem Maria e, naturalmente, do santo padroeiro.e, ao mesmo tempo, invocam proteção. A banda de música empresta à procissão uma dose de lirismo e beleza, somente suplantados pelo simbolismo dos fogos de artifício, tradição que se mantém ainda muito viva.

A procissão não é somente uma manifestação religiosa. É também telúrica, folclórica e cultural. Vale atentar para a letra de uma canção do Gilberto Gil: "Olha, lá vai passando a procissão/ Se arrastando como cobra pelo chão/ As pessoas que nela vão passando/ Acreditam nas coisas lá do Céu/ As mulheres cantando tiram versos/ e os homens escutando tiram o chapéu".

A procissão é, sem dúvida, o coroamento de ouro para um evento que vamos preservar eternamente e sempre reconhecê-lo como A FESTA. Até agosto do próximo ano!!!...

Tiburcio Bezerra

segunda-feira, 15 de agosto de 2016

Cardume da Vazante

CARDUME  DA  VAZANTE

Ficamos eu, tu e Rita
Da safra de 46
Maria já foi à frente
Despediu-se de nós três

Somos todos setentinhas
Peixes de água rasante
Saídos ao mar da vida
Levando em nós a Vazante.

Levando em nós a Vazante,
E o banho do "bebedor"
O canto do sabiá
E uma grande carga de amor.

Levando em nós a Vazante
E as noites de luar
O seu cheiro de inverno
E o jeito de rimar.

Levando em nós a Vazante
Também a pedra e o espinho
Levando de lá o barro
Pra construir nosso ninho.

Levando em nós a Vazante
Dentro de nós congelada
Imutável, invencível
Raiz forte e adubada.

Levando em nós a Vazante
Que de nós não se retira
Tem cheiro sabor e cor
Com ela, ninguém conspira.

Para Raimundim Piau.
Socorro Martins.

domingo, 10 de janeiro de 2016

MEU PÉ DE JENIPAPO

MEU PÉ DE JENIPAPO - (Claudio Morais, do Sítio Panelas, Várzea Alegre/CE).

O que passo a vos contar não é UM CAUSO, mas, sim UM CASO (pois é uma História verídica).

Comemorando o aniversário em cima de UM PÉ DE JENIPAPO, a saborear aquelas gostosas frutas. Na década de 1940, GABRIEL MENDES FEITOZA (Bilezinho), o filho caçula de GABRIEL REGO DE MORAIS (Bile, do Sítio Panelas) e ISABEL PEREIRA DE MORAIS (Biluca), morava no Sítio de nome: Boa Vista (em companhia de sua esposa MARIA DE NAZARETH FEITOZA – Nazinha – e dos três filhos mais velhos. Eram eles: Francisca Claudete Feitoza, Claudia; Francisca Cleonete Feitoza, Cleia; e, Antonio Claudoneto Feitoza, Claudio. Lembro-me como se fosse hoje. No dia em que a segunda filha, CLEONETE, completou 10 anos (para ser mais preciso: era UM DEZ DE OUTUBRO), logo cedinho cometeu uma travessura (daquelas bem cabeludas) e nossa MÃE lhe aplicou uma tremenda SURRA. A menina, como sempre, não era de chorar e simplesmente sumiu de casa. Naquele dia foram deixados esquecidos quaisquer preparativos para festejar o aniversário da garota. A parentela e os amigos, que moravam mais próximo, passaram todo o dia à procura da aniversariante (percorreram todas as casas da vizinhança, numa busca infrutífera).

Na entrada do Sítio Boa Vista havia UM GRANDE PÉ DE JENIPAPO, e este foi o local escolhido para se reunirem após cada busca. Foram muitas as idas e vindas sem nenhum resultado. As buscas duraram até o início da noite, já cansados decidiram parar (as buscas) e continuar no dia seguinte. Quando, de repente, cai uma casca de jenipapo na cabeça de um dos participantes da busca.

Ao olharem para cima viram a pequenina, montada na forquilha de um dos galhos da árvore. Constatou-se, mais tarde, que a menina havia passado o dia todo em cima da FRONDOSA ÁRVORE (e ali comemorou seu DÉCIMO ANIVERSÁRIO, saboreando jenipapos e mais jenipapos). Cada vez que os grupos se reunião para comentar os resultados ELA a tudo assistia, silenciosamente.

Esta não se trata da única AVENTURA de Nossa heroína. Depois disto ELA aprontou outras tantas. Brincou, estudou muito, cresceu, trabalhou bastante, e colou Grau: em Enfermagem Superior; e em Assistência Social. Hoje já aposentada fica a apreciar as travessuras dos netos e a recordar as próprias.

Juiz de Fora, Minas Gerais, 29 de setembro de 2015.

QUEM FOI O PADRE JOSÉ DE PONTES PEREIRA?

Da linha do tempo de: Tiburcio Bezerra De Morais Neto

QUEM FOI O PADRE JOSÉ DE PONTES PEREIRA?

O ano de 1852 aproximava-se do seu final, mas, antes que acabasse, aconteceu um episódio que merece registro. Em viagem pelo Assaré, o major Joaquim Alves Bezerra depara-se com um jovem padre secular, recém ordenado e que, ali, aguardava as ordens do bispado, naquela época com sede em Recife, para iniciar sua missão sacerdotal. Tratava-se do padre José de Pontes Pereira, filho daquela localidade.

Por estar temporariamente desocupado, o jovem presbítero acordou com o major sua vinda a Várzea Alegre, para uma curta temporada de quinze dias Na ocasião celebraria as santas missas do Natal, Ano Novo e Santos Reis. Aqui não existia sequer uma capela. Havia um espaço, intitulado de Quarto de Orações, onde o povo reunia-se para os cultos religiosos.
Várzea Alegre não passava de um simples povoado, ainda em fase embrionária.

Apesar de todas as dificuldades, chegou o padre, próximo ao Natal de 1852. Em poucos dias, demonstrando humildade e fervor, conquistou a simpatia de todos. Permaneceu até o Dia de Reis, ou seja, 6 de janeiro de 1853. Cumprida a primeira tarefa, retornaria à casa dos pais em Assaré. Em sua despedida, prometeu ao povo que voltaria a Várzea Alegre, desde que fosse construída uma capela e uma residência para o capelão.

Era tudo o que o povo queria. Nasceu aí um compromisso que todos levaram a sério. Depois de conseguirem permissão do bispado, três filhos e um genro de Papai Raimundo doaram um terreno de 200 braças em quadro, que seria o patrimônio de São Raimundo Nonato, já venerado no Quarto de Orações, por vontade de dona Tereza Maria de Jesus, primeira esposa do patriarca. Sem perda de tempo, iniciaram a construção da capela. No dia 2 de fevereiro de 1855, com a presença do padre Manoel Caetano, coadjutor da paróquia de Icó, e, cumprindo o ritual de praxe, a nova capela foi consagrada e nela entronizada a imagem de São Raimundo Nonato.

Para alegria dos fiéis, ali já estava, cumprindo o que havia prometido, o padre José de Pontes Pereira,
agora com a função de capelão, devidamente credenciado pelo bispado e instalado na casa que lhe foi reservada. Iniciou com bastante entusiasmo a sua missão presbiteral. Seu trabalho de pastor dedicado cativou tanto, que ninguém mais imaginava Várzea Alegre sem o padre Pontes, como passou a ser carinhosamente tratado.. Já era uma relação de tanta admiração e confiança mútuas, que a capelania prosperou e sua fama logo cresceu na região.

A vida porém é cheia de percalços. Chegou no Brasil o "colera morbus", isto em 1862, epidemia devastadora que fazia vítimas fatais aos milhares. O terrível mal atingiu Várzea Alegre e aqui não foi diferente. O padre demonstrava angústia diante daquele quadro. Os óbitos sucediam-se sem controle. Os mais antigos contavam e o fato nunca foi contradito. Padre Pontes, num dos seus arroubos de piedade, clamou a Deus para morrer, em lugar dos varzealegrenses. Por incrível que pareça, Deus atendeu ao seu apelo. Foi exatamente ele a última vítima fatal do "cólera-morbus" em Várzea Alegre. Morreu no dia 11 de maio de 1862.

Seu túmulo, ainda lembro-me, por muito tempo permaneceu de pé. Muito próximo à capela de Santo Antônio, foi destruído para dar passagem à rodovia CE-55. Por mais de 100 anos resistiu, enegrecido pela ação do tempo, abandonado e esquecido. Como esquecidos, também, permanecem muitos personagens que fizeram a nossa história.

O seu trabalho foi decisivo para o crescimento do povoado e para o surgimento do termo paroquial, criado pela Resolução Provincial nº 1.076, de 30 de novembro de 1863, um ano e meio após sua morte. Podemos considerá-lo pioneiro de movimentos que, depois, perpetuaram-se, como os festejos em homenagem ao padroeiro da cidade. A partir do padre Pontes, Várzea Alegre tanto desenvolveu-se, que logo conquistou o status de vila e conquistou a sua emancipação política, em 10 de outubro de 1870. 

Não é possível escrever a história de Várzea Alegre sem dedicar um capítulo ao PADRE JOSÉ DE PONTES PEREIRA.

Beatriz Jucá - Memoria Varzealegrense

TRANSFORMAÇÃO  EM  CORDEL Por Mundim do Vale e Beatriz Jucá.


É fácil consumir versos em cordel com uma rápida busca na internet, ao esforço de um clique
É bendizer da natureza do cordel adaptar-se. A literatura com versos metrificados e rimados é identificada, ao longo de sua história, nas manifestações orais, nos cadernos costurados à mão, nos folhetos impressos em máquinas a laser, nos meios de comunicação de massa. Acostumado a se apropriar dos assuntos do momento e das novidades comunicacionais, o cordel tem encontrado, nos últimos anos, uma importante vazão de conteúdos na internet.

Gênero atualizado

O olhar feminino da tradição

Seja nas despretensiosas redes sociais ou em blogs e portais específicos, são muitos os autores que têm ganhado visibilidade. Na rede, há espaço para todo mundo - do cordelista já consagrado pelos títulos impressos em folhetos àqueles que ainda estão iniciando na literatura de cordel. É consenso entre eles: a internet vem sendo uma importante aliada para divulgar tanto os autores quanto a própria literatura de cordel, que parece vir conquistando outros públicos com as novas ferramentas.

O novo suporte para publicação dos versos em cordel, no entanto, traz com ele especificidades da produção virtual. Há mudanças, por exemplo, em relação aos temas, tamanhos e ilustrações dos chamados "cibercordéis" - aqueles que são publicados apenas nas plataformas virtuais.
Essas transformações - de suporte e produção - ainda são passíveis de uma série de questionamentos no meio literário. Afinal, os novos meios virtuais atualizam ou descaracterizam a literatura de cordel? O que as novas plataformas oferecem para a tradição? De que forma os cordelistas vêm se adaptando aos novos formatos de publicação? É sob essas questões que o Caderno 3 se debruça na edição deste domingo.

Mudanças

O acesso à literatura de cordel não está necessariamente ligado ao ato de manusear o folheto, passando uma a uma suas páginas, sempre em múltiplo de quatro. Nem mesmo ao ato de observar com certa atenção a ilustração ou xilogravura da capa. Hoje, é fácil consumir versos em cordel com uma rápida busca na internet, ao esforço de um clique.
Tem se proliferado com certa rapidez o número de blogs, sites ou páginas de cordelistas nas redes sociais. Lá, eles publicam versos que poderiam ser editados sem problemas em folhetos, salvo algumas transformações estimuladas pela web. Os cibercordéis revelam liberdade maior.

Embora mantenham a rima e a métrica que caracterizam a poesia nos folhetos, a quantidade de versos ganha maleabilidade maior, tendo em vista que não mais é preciso preencher o espaço correspondente a um número específico de páginas. Os temas escolhidos para a web também se renovam. Para além de assuntos ligados ao sertão, os cibercordéis se ancoram em temas atuais e na própria internet.

"Para os versos na internet, a gente vai conforme as evidências. Entra o verso falando do governo, do carnaval, de uma coisa que esteja atual. No folheto em cordel, é mais a memória, o sertão", diz o cordelista Mudim do Vale. Autor de títulos em folheto como "João Grilo reencarnou", "A cara do sertão" e "A teima do Padre Vieira com o Poeta Zé Limeira", ele tem utilizado com frequência as redes sociais e um blog que mantém para dar vazão a versos menores em cordel.
"A internet é um espaço amplo. O cordelista passa a não depender de gráfica nem nada. Você fica à vontade ali. No meu caso, tenho mais de 800 amigos no Facebook que estende os comentários sobre a minha literatura. Minha obra ganhou o mundo. É uma vaidade que tenho já ter recebido até comentários internacionais", afirma Mundim do Vale.

Segundo ele, a internet é importante para divulgar a literatura de cordel, mas, nela, se perdem elementos importantes à tradição, como a capa ilustrada. "Não sei se posso chamar o que publico na internet de 'cordel', mas é literatura de cordel porque traz a métrica. Se for considerar só o que está escrito, é o cordel. Tem gente hoje que reproduz lá cordéis antigos, mas não a mesma coisa de pegar o folheto, é diferente. Essa sua pergunta me deixou embaraçado", diz Mundim.

Estranhamento

Para o cordelista e pesquisador Marco Haurélio, a internet mudou tudo o que se concebia acerca da arte, e com o cordel não foi diferente. "O maior estranhamento talvez resida na imagem antiquada que se tem do cordel e de seus criadores, quase uma ficção. Os temas são mais amplos, pois a própria internet tornou-se assunto corriqueiro dos poetas", considera o cordelista.
Marco Haurélio pontua que sites de relacionamento na internet, como o Facebook, trazem incentivos benéficos à literatura de cordel à medida que possibilitam que poetas travem pelejas, glosem motes ou construam um cordel coletivo com uma rapidez antes impensável. "O conceito de cordel também precisou passar por uma revisão, já que, na rede, não há a obrigatoriedade de seguir os tamanhos dos cordéis impressos em folhetos", assevera.

O cordelista Klévisson Viana concorda. Ele diz que, logo que a internet começou a se popularizar, na década de 1990, já surgiram as primeiras pelejas virtuais entre os cordelistas, que, ao longo da história, sempre estiveram antenados com os avanços tecnológicos. No auge do rádio ou mesmo do cinema, por exemplo, os cordelistas incluíram em suas produções novas características.

"A tecnologia está a serviço da tradição, é mais uma ferramenta. A internet é algo próximo da gente (cordelistas), e o cordel tem ganhado muito com ela. Isso é muito bom, porque a internet abriu muitas portas aos poetas. Eles hoje se apresentam no Brasil inteiro e viajam até mesmo ao exterior para divulgar sua obra", lembra Klévisson.

O autor destaca, também, a interatividade com o publico e o reconhecimento que recebem pela internet. "Recebo comentários do mundo todo, até daquele escritor Valter Hugo Mãe, esse 'caba que é ovacionado pela crítica literária, achou minha obra interessante. Botou no Instagram e tudo. Então acho que é um caminho interessante pra divulgar o cordel", diz.
Onde Encontrar

Mundo cordel
O cordelista fortalezense Marcos Mairton publica cordéis de sua lavra e de outros autores, produzidos especialmente para as plataformas digitais. Também digitaliza cordéis publicados originalmente em folhetos.

Cordel de saia
Blog voltado à literatura de folhetos, com atenção especial ao universo feminino

Maarco Haurélio
O cordelista mantém blog no qual publica cordéis e ensaios a respeito do tema. Também publica versos em cordel nas redes sociais

Klévisson Viana
Publica alguns cordéis digitalizados e o catálogo de livretos disponíveis na sua editora, a Tupynamquim:

Mudim do Vale
Publica versos em cordel por meio de blog (junto com fotografias e causos sertanejos) e das redes sociais

Transcrito do Diário do Nordeste da página 3. Arte da jornalista Beatriz Jucá.

Fonte: Diário do Nordeste

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Recordações - Memória Varzealegrense

Foto 109 - Foto de varzealegrenses, nela estão: em pé: Caldeman Querino, Vitorino de Fatico, Serrinha, Zé Haroldo de Fatico, Joaquim Bitú. Sentadas: Maria Onelma, Roseni Pajé, Margarida Bilé, Isa Teixeira, Socorro de Dr. Derli, Maria Oliveite.



Luiza Lixandre - Memória Varzealegrense

Luiza Lixandre 

Luiza Lixandre

Luiza de Lixandre, uma criatura, que, inofensivamente, conviveu com várias famílias, andou por vários sítios, às vezes, prestando serviços caseiros, deixando lembranças, recordações, ensinamentos de uma pessoa DIVINA. 

Razão pela qual, é considerada por alguns como ente querido da família. Seus gestos, as suas gargalhadas engraçadas.
Sua espinhosa caminhada na terra, com certeza, conduziu-a à SANTIDADE.

Comentário:
"Luiza Lixandre, quem a conheceu ou conhece sua historia sabe: foi uma escolhida de Deus para mostrar que o fim de todo orgulho, riqueza e poder é um só:  Em baixo de uma pedra fria com as indefectíveis palavras: Aqui Jaz." 


Foto: arquivo particular de Maria Menezes
(am)

domingo, 20 de dezembro de 2015

Real Caririense - Memória varzealegrense

Ônibus da Expresso Real Caririense que fazia a linha Crato São Paulo. 

Motorista Antônio Alves (Tontonho). Década de 1970.
Foto enviada por Homero Fiuza



Tenho muitas lembranças dessa época, apesar de ser o período da minha primeira infância. Aprendemos a estimar e respeitar a família caririense, na pessoa do Sr. Zezito através do meu pai.

Papai desempenhou seu ofício com muito amor, dedicação e responsabilidade. Para nós, ficou esse exemplo, as lembranças e recordações, além da grande saudade.

Agradeço ao Memória Varzealegrense por resgatar esta memória.
Um grande abraço em meu nome e dos meus irmãos:
Mirella, Jefferson e Homero.

quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Cine Odeon - memória Varzealegrense

Página inicial do caderno onde mostra o dia da inauguração e o primeiro filme exibido no Cine Odeon - 12 de Outubro de 1959 com o filme brasileiro "TIRA A MÃO DAÍ" - Muito ruim por sinal!


Edmilson Martins

Escola José Correia Lima comemora seus 68 anos

Várzea Alegre: Escola José Correia Lima comemora seus 68 anos de fundação


A Escola de ensino médio José Correia Lima, completa nesse dia 30 de novembro de 2015, 68 anos de fundação. Hoje a Instituição educacional tem à frente como diretor, o professor Carlos André, onde há 05 anos ocupa o cargo administrativo.

Para comemorar essa data tão simbólica, a direção da referida escola prepara uma semana de programação que terá início nessa segunda-feira (30).

Haverá de princípio um momento solene com alunos e professores, seguido de atividades temáticas de oficinas nas salas de aula.No dia 02 de dezembro, terça-feira, a escola prepara uma atividade intitulada como Gincana Solidária, com o objetivo de oferecer melhorias na sua estrutura física.

Para a direção, a escola contendo um melhoramento na sua estrutura física, melhora as condições de trabalho e consequentemente as condições de ensino e principalmente de aprendizagem.

Então essa atividade denominada também de superação, é uma ação ampliada de caráter global, envolvendo alunos, professores, funcionários, pais e a comunidade em geral. Nesse dia serão realizados reparos na escola, como consertos elétricos e hidráulicos nos móveis, pinturas e restaurações de paredes. Para isso a escola necessita da ajuda voluntária de pais de alunos, pessoas da comunidade que tem tal habilidade.

A justificativa para o desenvolvimento do trabalho, segundo Carlos André, resulta da seguinte maneira, se a escola está aniversariando, o ideal é que ela receba o presente, ou seja, essa atividade visa em presentear a Instituição educacional. A escola estará à disposição o dia todo para a comunidade.

Na grade festiva, os jogos interclasses  serão realizados no Centro Social Urbano (CSU), tendo início a partir da manhã de quarta-feira (02). A noite será idealizada a III corrida de rua, apresentando mudanças, a começar pelo horário, já que as demais edições eram realizadas no período da manhã. Dentro desse evento, a escola traz como novidade a I corrida na modalidade cross country, incluindo um percurso, perímetro rural e urbano.

A largada se dará a partir das 19:00h na Academia da Saúde, localizada no Parque Cívico São Raimundo Nonato (Praça da lagoa), seguindo um percurso que pega a estrada que dar acesso o bairro Varzante, faz uma volta nas proximidades do bairro Juremal, passando na ciclovia que ao realizar todo esse percurso volta para o local que foi tomado como ponto de largada, na academia da saúde.

Outra novidade é que a corrida está aberta para quem quiser participar, ou seja, além de alunos e funcionários da escola, os pais e toda a comunidade tem a oportunidade de fazer uso da prática esportiva, haverá uma premiação distinta para cada categoria.

As inscrições serão feitas por uma comissão de alunos organizada pelos professores da disciplina de Educação Física, os interessados devem procura-los na referida escola e efetuar a sua inscrição que é gratuita. Para aqueles que desejam somente caminhar no percurso, tem toda a liberdade.

Na quinta-feira (03), a escola estará dando continuidade às ações de melhoria de infraestrutura da escola. Desta vez será sucedida uma ação de limpeza de todos os ambientes, contando com a parceria das mesmas pessoas que participaram na primeira ação.

Na sexta-feira (04), para encerrar a semana festiva de aniversário, haverá uma culminância da gincana, entrega da premiação e apresentações artísticas e culturais.

Ao longo de 68 anos, a escola já obteve de 12 diretores:

Maria Ivone Alencar Lacerda Moreno (1948 - 1950)

Maria Afonsina Diniz Macêdo (1950 - 1953)

Waldira Correia Alcântara (1953 - 1955)

Maria Dolores Menezes de Carvalho (1955 - 1981)

Leonarda Bezerra do Vale (1981)

Ana Ferreira Rolim (1982 - 1986)

Maria Aurinete de Freitas (1987 - 1989)

Antônia Félix da Silva (1990 – 2000)

Francisco Bastos Gomes (2001 - 2004)

Tereza Régia de Carvalho (2004 - 2008)

Raimundo Alves Cândido (2008 - 2010)

Carlos André Bezerra Marques (2010) e permanece até hoje no cargo.

Fonte:Ivan Silva

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Nossas Memórias - Memória Varzealegrense

Nossas Memórias - Airton Correia


Hoje, passando as postagens do Memória Varzealegrense, surpreendi-me com muitas fotos de pessoas que há muito não via, assim como, histórias muito interessantes. Parabenizo-o pelo trabalho sério e, acima de tudo, comprometido com a história da nossa terra e do nosso povo. 

Diante disso, sinto-me obrigado a divulgar um pouco da minha própria história. Sendo assim, envio-lhe cópia do meu título de nomeação para exercer o cargo de Juiz de Direito, envelhecido e destruído pelo cupim, mas vale. 

Aos poucos vou divulgando outras atividades do meu "curriculum", para que os amigos vejam que, com toda dificuldade da época, com determinação e muito sacrifício, pude alcançar alguns objetivos. Digo isso, porquanto não parei,ainda.


Acrescento a relação dos aprovados no referido concurso. Muitos deles, são Desembargadores, na ativa ou aposentados.



Nossas Histórias - Memória Varzealegrense

Nossas Histórias - Antônio Morais

Os dois grandes amigos: Dr. Humberto e Mundim do Sapo

Em 1969, quando cheguei em Crato, tio Mundim do Sapo residia à Rua Monsenhor Esmeraldo depois da linha férrea. Neste época a Fábrica da Coca-cola ficava bem próximo.

Raimundo, seu filho, voltava da aula e de passagem pela referida fábrica atirou uma pedra na Placa Luminosa de Propaganda, bateu de um lado e saiu do outro. O vigia observou Raimundo entrando em casa, ligou para o gerente da fábrica que foi a casa do tio Mundim com a muzenga, de pauta com o diabo.

Enquanto o homem falava o circo ia se formando, a vizinhada toda assistindo o afoito e deselegante gerente ser grosseiro.
Mundim do Sapo calado o tempo todo, não tinha razão e nem tinha o dinheiro disponível no momento para pagar o prejuízo.
Por fim o homem baixou a sentença : amanha, 08 horas, no meu escritório com o dinheiro da placa, do contrário vai ter cadeia.
Seis da manha, do outro dia, tio Mundim do Sapo estava na casa do Dr. Humberto Macário que além de ser primo e grande amigo era o prefeito do Crato à época.
O que foi Raimundão que você não me deixou dormir hoje? Disse Dr. Humberto.

Tio Mundim contou a história.
Dr. Humberto ligou para o gerente da coca-cola e disse: aqui é Dr. Humberto Macário. O homem se derreteu todo, diga Dr. Humberto, mande as ordens, o que o senhor desejo?
Eu quero que você levante o prejuízo que o filho de um amigo meu provocou com a destruição de uma placa da sua empresa, e, mande receber comigo. Não vá mais na casa dele, porque ele não pode pagar, vai se encabular e aborrecer você.

Nada Dr. Humberto, foi nada não, foi só um trincão de fácil recuperação. Aqui o senhor manda!...
De qualquer forma se houver despesas é comigo, e desligou.
Pronto Raimundão, está resolvido. Pode ir pra casa tranquilo. Disse Dr. Humberto.

Quando tio Mundim chegou em casa, o vizinho que assistiu o circo do dia anterior perguntou:
Como foi, seu Mundim, o homem amansou?
Tio Mundim do Sapo parou um pouco, pensou e respondeu: Eu ESTUMEI Dr. Humberto nele.

Antônio Morais

quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Matriz de Várzea Alegre - Memória

Igreja Matriz de São Raimundo Nonato em Várzea Alegre - Ceará


REVIVENDO O ALTAR DE SÃO RAIMUNDO - TIBURCIO BEZERRA

Fui coroinha, no tempo do Padre José Otávio de Andrade, de saudosa memória. Era criança ainda, lá entre meus 10 e 12 anos. O padre paramentava-se na sacristia e, na companhia do coroinha,(eu), que conduzia o missal, logo à sua frente, encaminhava-se solenemente ao altar, para a realização da missa. O celebrante ficava de costas para o público, para ficar voltado para o sacrário, onde estava o Santíssimo.

Era tudo rezado em latim!
Primeiras palavras do padre:
- "Introibo ad altare Dei. (Entrarei ao altar de Deus)
O coroínha respondia:
- Ad Deum qui letificat juventudem meam. ( Ao Deus que alegra a minha juventude)

Assim continuava, até findar-se a santa missa. Os fiéis portavam-se em silêncio e com absoluta concentração. Ouviam-se cânticos sagrados entoados pelas cantoras Altina, Milica, Romana e Cira Teixeira, acompanhadas pelo harmonista, na época, o jovem Chico de Amadeu. Coração Santo, Queremos Deus, Com Minha Mãe Estarei, entre outros, eram os benditos mais cantados.

Após a leitura do evangelho, também em latim, o presbítero dirigia-se ao púlpito, espécie de tribuna posta no centro da matriz, e ali fazia o sermão, onde traduzia para o povo a mensagem bíblica do dia. Lembro que o padre Otávio era um bom pregador.

O coroinha tinha múltiplas funções. Tornava-se protagonista na cerimônia, pois além de rezar em lantim, servia ao padre em todos os momentos da cerimônia. Conduzia o missal, passava suas páginas, tocava a campainha, servia a água que lavava as mãos do celebrante e, na hora da comunhão, acompanhava-lhe a todos os comungantes de patena em punho, para evitar que a hóstia caísse no chão. A hóstia não podia cair. O corpo de Deus não devia cair.

Voltado sempre para o altar, aprendi a admirar a imagem de São Raimundo que, depois, muito depois, inspirou-me na criação da nossa bandeira, que levam as suas cores. Os costumes agora são outros. O culto mudou.

Nunca mais ouvi "Coração Santo". Nem vi mais mulheres de véu. Nem "Filhas de Maria". Nem "Mães Cristãs". E nem os "Congregados Marianos", homens de fé, que condiziam o andor de São Raimundo nas bonitas procissões do passado.

Sempre que entro em nosso santuário, miro aquela imagem simbólica e tenho saudade dos meus tempos de "coroinha", de Pe. Otávio, Seu Amadeu, Chico Feitosa e reflito: "não mudei, nem São Raimundo, o que mudou foi a cidade".